Omagio a Eikoh Hosoe, de Cicchine

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Ela e o amor

Quando ela nasceu, alguém logo lhe avisou:
Vá ao mundo para ajudar, para ser alicerce de pessoas,
Para fazer sorrir, ser força de tudo,
Mas não esqueça: não tente nada de amor!

E lá foi ela, inocente que só
Ser alegria e força na vida alheia.
Cresceu bem, seguiu as instruções,
Exceto por uma.

E logo a mais importante de todas,
Ela toda displicente foi esquecer.
Amou. Ah sim, amou. Entregou-se ao sentimento bonito
Sem memórias e sem medo.

E tão logo lhe veio a dor lancinante
Machucar-lhe aquele pobre coração tão doce
E de inocência e doçura, prometeu aos prantos
Nunca mais amar.

Nunca mais ela seria sonho bom de alguém
Que no final de tanto fazê-la perfeita
Transforma a vida da pobre menina em pesadelo.
Dilacera-lhe o coração de sonho em dor.

Ela tentou mudar. Tentou não ser perfeita.
Desejou desesperadamente ser realidade,
Porque ser sonho dos outros só machucava,
Mas nada feito. Não podia ser assim.

E há quem diga que ela veio à Terra
Pra ser anjo, de tão boa.
E ela, pobre criatura,
Só queria ser gente sem coração.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Pra lua

Passou horas olhando a lua. 
Amarela era ela, não a lua.
A lua só refletia o amarelo,
Que existia no seu coração.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Cotidiano #2 (aos domingos)

O tédio lhe escorria pelos dedos,
Não havia nada o que se fazer.
A casa estava toda vazia,
O coração estava todo vazio.

Já havia esvaziado todos os pensamentos,
Já havia andado pela casa inteira,
E o nada ainda persistia em estar ali
Lado a lado no seu travesseiro.

E há dias em que a rotina atrapalha,
Mas há dias em que a completa falta
Desta rotina causa pavor.
Sem rotina, sem horários, sem nada.

Para acabar com o tédio, que fazer?
Ela pensou, pensou e só uma solução
Veio-lhe a cabeça: Boa noite, amigos,
A cama há de me salvar.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Cotidiano #1


Quis soltar as alegrias, uma a uma,
Abriu a boca, fechou, abriu mais.
Não saiu nada, nem um trisco de alegria qualquer.
Como haveria de sair algo que nem existe, enfim.

Sentou-se no canto da sala, amuado,
Olhou para a janela, pousou um pássaro,
Ele se debatia, queria entrar, mas ela,
Não sairia da sua realeza para lhe abrir caminho.

Notou a cor do dia, era cinza e belo,
Mas no seu íntimo algo incomodava.
Incomodava mais que o azul do céu,
Mais do que a claridade e o trabalho espalhado sobre a mesa.

Que haveria de tanto incomodar um pobre
E tão jovem coraçãozinho?
Que monstros ou que dor incrível
Morava naquela mente fechada?

E que respostar encontrar em meio à rotina,
Se nem para o pássaro que vinha
 Trazer-lhe boas novas, a pobre
Garota teve tempo de sobra?

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Poema do amor eterno


Que amor é esse, adorela?
Que não desapega,
Que não acaba,
Que tanto faz doer?

Que amor é esse, pequena sonhadora?
Que em tão tenra idade nasceu e
Parece que permanecerá
Até a velhice (de ambos).

Que amor é esse, medrosa?
Que agora tem medo de contar
A ele, de gritar ao mundo,
Que você finge que não tem.

Que amor é esse, dona do mundo?
Que parece calmaria,
Mas é vento rugindo nas
Folhas que dormiam.

Que amor é esse, senhorita?
Que da beleza faz-te bela,
Da tristeza faz-te lágrimas
E parece não haver alegria?

Ah, esqueça desse negócio de amor!
O amor lhe é um só e não há
Lugar para outro e ponto.
Fique a esperar, tola.